domingo, 30 de maio de 2010

Cápsula do Tempo

Uma cápsula do tempo é uma espécie de recipiente (um cofre, por exemplo) com uma informação ou mensagem deixada para gerações futuras. Mas ela também pode surgir involuntariamente – são as cápsulas não intencionais, geralmente achados arqueológicos insuspeitados.
Uma cápsula intencional foi encontrada em 2005 no Havaí, enterrada pelo rei Kamehameha V. Nessa cápsula existiam fotos, selos, livros, dentre outros objetos. Alguns municípios brasileiros vêm tendo essa iniciativa, tais como Campos dos Goytacazes e Pelotas, quando são enterradas cápsulas com textos de estudantes. Na Argentina está sendo preparada uma cápsula com utensílios de uso cotidiano e diversas mensagens, com dados que não estão em registros oficiais e que será aberta em 2110. Recentemente, na Suíça, foi enterrada uma cápsula contendo diversas tecnologias extintas ou em vias de extinção, tais como o disquete. O conjunto foi chamado de “genoma digital” e será aberto dentro de 25 anos.
O interessante dessas cápsulas é a idéia de que podem conter justamente o que não consta nos registros. Não a história narrada pelos historiadores, mas a vivência e as impressões de cada um, em dado momento. Houvesse mais cápsulas e talvez tivéssemos conhecimento também da história contada pelos vencidos, e não somente pelos vencedores.
Quanto às cápsulas involuntárias, o exemplo mais recorrente é o dos achados arqueológicos de Pompéia, em razão da erupção súbita do vulcão Vesúvio. A cidade praticamente virou pedra, e foi possível reconstituir tudo o que ocorria no momento da erupção. Triste cápsula.
Mas nenhuma dessas cápsulas se compara à imaginada por Chico Buarque na música “Futuros amantes”. Pensemos no Rio de Janeiro submerso, uma pobre Atlântida tropical. O ano pode ser o de 2110. Nesse admirável mundo novo, as pessoas não têm a mínima idéia de quem foi Aldous Huxley, mas tomam pílulas para poder sentir alguma emoção. São vazias de sentimento. Então, alguns escafandristas aventureiros descobrem essa cidade e o que antes foram ruas, bares, carros, lojas...Curiosos, entram numa casa e abrem um armário que estranhamente foi conservado. Lá dentro há uma pequena caixinha. Eles abrem, então, essa caixa, e dela saltam “ecos de antigas palavras”, fragmentos...e amor! Um amor que esperou em silêncio, durante anos, absolutamente intacto; um amor que será sempre amável. E os escafandristas então descobrem essa emoção e viram amantes; eles são os "futuros amantes" que irão utilizar (sem precisar de pílulas) esse amor que ficou escondido e agora é revelado.
Infelizmente essa cápsula capaz de armazenar o que há de mais fluido ainda não foi construída.
Então, à falta de um recipiente mágico como o pensado por Chico Buarque, eu utilizo a partir de agora a internet. Este blog é minha cápsula do tempo particular, na qual irei armazenar textos, fragmentos, ecos e impressões.

Um comentário:

Carlos Augusto [Floyd] disse...

Muito interessante.