segunda-feira, 25 de abril de 2011

Da necessidade urgente urgentíssima de regulamentar o uso de celulares tocadores


Insidioso como uma serpente venenosa, letal para a saúde psíquica dos que estão à sua volta, grave elemento de perturbação da ordem, o celular que toca músicas vem se infiltrando no cotidiano das pessoas.  Esse tipo de equipamento precisa urgentemente ter o seu uso regulamentado. As pessoas deveriam se candidatar a ter um celular tocador, entrar numa fila de espera e para adquirir teriam antes que fazer um curso no qual seriam obrigadas a assistir no mínimo três vezes a palestras com os seguintes temas:
- o seu direito termina onde começa o dos outros;

- o significado dos espaços coletivos.

Para garantir que as mensagens sejam entendidas, deveria ser feita também uma versão simplificada das palestras, com um vocabulário mais acessível, de repente até com um jingle em ritmo de forró, com o seguinte tema:

- o ouvido dos outros não é penico. 

Aí depois haveria uma prova, e o feliz aprovado ganharia o direito de adquirir o seu celular e seria detentor de um porte, de caráter precário, que poderia ser cassado a qualquer momento caso ele desobedecesse às regras. Por exemplo, caso fosse pego portando o seu aparelho sem o equipamento de segurança coletiva: o fone de ouvido.

Não me atrevo a dizer que a regulamentação tenha que se dar em nível nacional, pois não tenho ainda as estatísticas dos outros estados, mas no Rio Grande do Norte está havendo uma epidemia de pessoas acometidas do vírus da falta de noção (que graças a deus não é contagioso), e essas pessoas com um celular tocador na mão constituem uma grave ameaça. Elas ligam o seu tocador no volume máximo, sem fone de ouvido, e ficam ouvindo forró nos ônibus, especialmente os interurbanos, especialmente os interurbanos Mossoró-Natal e vice versa, embora haja relatos dos tocadores em ônibus da linha Natal/João Pessoa. 

Sim, isso mesmo, dentro de ônibus, aquela caixinha fechada, com ar condicionado, na qual nenhum "pum" passa despercebido. Mas não é só lá; eles também atacam nos supermercados, nas lojas, e fodam-se os outros.  É impressionante.

Um dia fui perseguida por um sujeito que ouvia um desses “forrós” irritantes, tipo calcinha rodada e  cavaleiros do caralho, que resolveu fazer a feira no mesmo sentido que eu estava fazendo. Sim, eu entrava em um corredor, ele ia atrás, com seu indefectível “radinho”.  Competindo, aliás, com a maravilhosa trilha sonora do supermercado Nordestão, rá.... E ontem mesmo, numa viagem de apenas quatro horas, nada menos do que três pessoas em momentos diferentes ligaram seu celular para curtir um sonzinho.  Começa baixinho, às vezes com uma música gospel, depois passa para o forró, a “quebradeira” e outros "supostos" ritmos (sem eira nem beira). Você está dormindo na sua viagem, e acorda com aquele som meio distante, e ainda lerdo não sabe direito o que está acontecendo.  Quando realmente desperta você percebe que foi acordado por um idiota social que acha que está A-BA-LANDO, distribuindo de graça aquele som bacana para todos os outros passageiros.   Dentre todas as coisas impressionantes que vejo todo dia, relativas à falta de respeito pelo outro e de educação, essa é a mais recente. 

Alô, vereadores da cidade, façam algo de útil, regulamentem o uso dos tocadores!!!

Ou então, cientistas do mundo, inventem, por favor, uma vacina contra a falta de noção!!!! Antes que os cavaleiros do apocalipse, do "caráleo" e do forró acabem com a nossa paciência. 

Um comentário:

Carlos Augusto [Floyd] disse...

Mês passado dei continuidade a campanha "Não seja DJ de rua". É algo bem semelhante ao que você reclama.
Para quem quiser conferir como funciona:
http://bit.ly/gD9TFr